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terça-feira, 29 de março de 2022

Vidraças quebradas

 

Vidraças quebradas

Como sempre acontece em Búzios, ninguém viu ou sabe qual motivo de o motorista do carro ter provocado a destruição das portas de vidro da entrada do banco do Brasil nesta madrugada, mas me fez lembrar o caso de um amigo que comprou um celular de uma operadora de telefonia que tinha uma agencia no Centro da cidade. Este amigo que não vou citar o nome, faleceu a alguns anos. Este amigo, devido seu velho celular apresentar diversos problemas resolveu que era hora de mudar de telefone, compraria um aparelho de última geração que lhe servisse tanto para o dia a dia, como também para o trabalho, já que andar com notebook para todos os cantos já estava ficando cansativo.

No dia seguinte se dirigiu a agencia da sua operadora cedo, chegou ás 08:00 h, mas a agencia abriria as 10:00h, então resolveu ir caminhar pela Orla Bardot para olhar o mar, rever amigos e visitar alguns clientes. Duas horas depois se dirigiu a agencia e quando chegou teve que aguardar bastante tempo para ser atendido, já que a fila de reclamações sobre o mal serviço prestado pela operadora era muito grande.

Quando chegou sua vez ele já sabia qual aparelho que iria comprar, já que durante a espera pesquisou sobre todos aparelhos que estavam na vitrine, e a atendente rapidamente lhe trouxe o escolhido e em seguida perguntou se continuaria com o mesmo plano ou queria um melhor com muito mais vantagens. Como estava já estava estressado pela tamanha espera, disse que mudaria de plano, mas se demorasse mais de cinco minutos iria embora, e o atendimento foi muito rápido e a promessa era que dentro de duas horas o novo aparelho estaria habilitado. E o sujeito foi para casa feliz da vida.

Na parte da tarde o cidadão voltou ao Centro e se dirigiu a agencia para saber o motivo do seu telefone ainda não ter sido habilitado, e a resposta foi que no máximo em uma hora estaria funcionando, então ele fez sinal de positivo e se dirigiu a um bar em frente a agencia, seu dia estava perdido mesmo, e o melhor a fazer era beber uma cervejinha para relaxar.

Após várias cervejas retornou a agencia e a resposta foi a mesma, em uma hora o telefone estaria funcionando. E passaram horas, a agencia fechou, o cidadão ficou bêbado, revoltado e resolveu voltar para sua casa. Mais tarde já recuperado da cervejada e mais calmo, resolveu ir ao Centro num encontro político partidário na casa de um amigo, onde seu nome seria indicado para uma pré-candidatura a vereador. O encontro acabou se transformando numa festa, já que cada um que chegava trazia consigo bebidas ou tira gostos, até uns músicos chegaram para animar ainda os já animado público presente.  

Lá pelas tantas horas o meu amigo resolveu ir embora da festa e saiu caminhando pelas ruas desertas. De repente se viu em frente à loja que tinha tornado seu dia um inferno, e resolveu desferir todos tipos de ofensas e palavrões para o logotipo na vitrine da loja a meia luz, e depois seguiu caminhando. Não satisfeito, resolveu voltar a loja e deixar um bilhete falando da sua indignação, mas quando chegou descobriu que não tinha caneta e muito menos papel, então pegou uma pequena pedra e jogou contra a vidraça e saiu andando e olhando para os lados pensando em alguém ter visto seu feito. Mais à frente um pouco resolveu jogar outra pedra um pouco maior afinal a rua deserta lhe encorajou, e jogou outra, outra, outra... E no final achou que jogar pedras estava lhe fazendo muito bem, e resolveu jogar uma última antes de ir embora, e acabou jogando uma muito maior do que as outras jogadas, e terminou com estilhaços de vidros voando em todas as direções. E o cidadão saiu em desabalada correria pelas ruas desertas sem olhar para trás.

No dia seguinte acordou muito chateado consigo mesmo, já que sua educação não condizia com sua atitude, e depois do café da manhã tomado, resolveu ir à loja se apresentar como o autor do atentado e responsável pelo pagamento total do prejuízo.

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