PITANGA PRETA
Desde quando vim morar
em Armação dos Búzios, uma pessoa sempre me chamou atenção por ser diferenciada
dos outros moradores. Fossem nativos, moradores oriundos de outros municípios
ou de outros estados, como também moradores estrangeiros.
Está pessoa a quem
me refiro é o Sr Antonio Câmara, muito conhecido pelo apelido de Toninho Português.
Sujeito culto, fluente no francês, melhor ainda no português, sabedor e
contador da história da cidade, escultor, entalhador, pintor e desenhista que
adora reproduzir em desenhos a bico-de-pena, todos peixes
encontrados no mar de Búzios.
Passado alguns anos
quando já tínhamos nos tornado amigos, e numa das muitas conversas ele
descobriu que meu nome era Julio Cesar, (já que até então só me chamava de
filho do Pastor) e durante quase duas horas ele contou a história do Julio Cesar
Imperador, inclusive em pequenos detalhes que no mínimo o escriba que espalhou
deve ter sido jogado aos leões. E depois que terminou á “aula”, eu lhe disse
que tinha um livro presenteado por uma professora de história sobre o Julio
Cesar e que o emprestaria. E lhe emprestei, só que ele não devolveu até hoje. rsrsrs.
Um dia, há mais ou
menos 12 ou 14 anos o encontrei novamente disposto á provocá-lo sobre mais um
assunto, e desta falei sobre a vegetação buziana ser muito semelhante à
vegetação de Caatinga, o que ele concordou e começou a enumerar toda a
vegetação local, falando sempre de uma forma mais carinhosa das arvores
frutíferas, e falou sobre uma espécie de Pitanga Preta que estava quase extinta
em Búzios, mas como ele sempre guardava sementes de todas as frutas para
plantas para as gerações futuras, tinha algumas mudas e que me daria uma, mas
antes me fez garantir, prometer, jurar e quase ir ao cartório da Dona Marly
registrar em documento que eu iria cuidar da muda, e mesmo assim levou quase um
mês para me entregar a planta, isto porque eu todo dia o encontrava e cobrava.
E acredito que recebi o presente porque lhe presenteei com um livro sobre as
conquistas de Alexandre. O Grande.
Passado estes anos,
a pitangueira começou a florir, mas não dava frutos, quando começou a dar
frutos eles eram vermelhos, e nada de pitanga preta. Só que desta vez, para
minha total surpresa o fruto é preto, e passei a acreditar que em vez de
uma muda o Toninho português me deu dois pés de pitanga, uma preta e outra
vermelha.
Obrigado Toninho! A
semente da primeira pitanga preta do pé, já está separada para futuramente ser plantada.



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