‘Bar dos Mortos’
Para
muita gente, principalmente o povo católico, o dia 2 de novembro é a data para
recordar das pessoas que já se foram. Muitas pessoas neste dia, não se
alimentam, não consomem bebidas alcoólicas e preferem usar roupas de cor preta.
A dor da perda do ente querido levado pela tão temida Dona Morte, traz
recordações dos bons momentos vividos na terra. Os cemitérios esquecidos
durante 364 dias por ano viram pontos de encontro, locais de rezas e orações,
cantorias e também uma grande feira com venda de flores e velas.
Ao ler a
reportagem da Marina Fontenele no G1 sobre o Bar São Cristovão, também
conhecido como Bar dos Mortos no município de Itabaiana, interior do estado de
Sergipe, que em 1998 começou a homenagear os mortos com fotos na parede, me
lembrou do Bar Nascimento em Armação dos Búzios, mais conhecido pelos moradores
como Bar do Silvano, que também homenageou seus freqüentadores queridos durante
muitos anos até mudar de proprietário.
Sempre foi comum em
cidades pequenas, constar pequenos quadros com fundo de cortiça com fotos de
amigos dos donos dos estabelecimentos, alguém famoso que passou pela cidade e
freqüentadores assíduos, que levam suas fotos. E, inclusive no Bar Nascimento através
das fotos expostas, muitas pessoas encontraram amigos que não viam á muito
tempo, parentes e até noivos e maridos fujões, juntamente pessoas desaparecidas.
Diferente das fotos
do Bar em Sergipe que segundo a reportagem já soma mais de 1,3 mil fotos, acredito que a do
Bar Nascimento quando fechou, deveria ter muito mais, embora nem exista mais a
possibilidade de contar, já que com a mudança de proprietário e as obras que
aconteceram no local, o arquivo foi perdido. Mas! Seria arquivo morto? Ou arquivo dos mortos?
Os mais
antigos lembram que devido o Bar Nascimento ser a sede do time de futebol 500,
cujas prateleiras dividiam espaço troféus e garrafas de bebidas, as primeiras
fotos colocadas na parede eram da equipe em foto tradicional em campo e também
fotos tiradas depois do jogo, onde sempre acontecia uma confraternização regada
a muita cerveja, cachaça, churrasco ou peixada. Depois vieram fotos de jornais,
dos fregueses e aconteceu até uma tentativa de tornar uma espécie de galeria,
onde alguns fotógrafos expunham algumas fotos.
Com o
passar do tempo, as paredes do Bar Nascimento tinham mais fotos de pessoas
falecidas do que vivas, e começou a espalhar um boato na cidade, que a pessoa
que tivesse uma foto exposta, poderia ser a próxima a partir desta para melhor,
e houve depois do boato espalhado pelos quatro cantos da cidade, uma grande
correria para retirada de fotos da parede. Eu mesmo não deixava minhas fotos
lá, cheguei a tirar fotos minhas três vezes. Afinal, dizem que o seguro morreu
de velho, mas o desconfiado está vivo até hoje.
Só não
entendi porque o bar se chama São Cristovão, já que o santo é o padroeiro dos
motoristas. E pelo que eu sei bebida e direção não combinam, e é proibido por
Lei essa dupla andar junto. Será que os caras antes de irem embora, jogam uma
pinga no chão, rezam e acendem uma vela para o santo?


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