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quarta-feira, 13 de agosto de 2014


O FIM DOS GRANDES CINEMAS DE RUA NO RIO DE JANEIRO

Muito me surpreendeu ler no jornal O Globo à matéria assinada por Renan França sobre quantidade de cinemas de rua que existiram na cidade do Rio de Janeiro nos anos 60, e hoje conta apenas com 16. Muito triste o que está acontecendo, mas os tempos mudam.
Lembro ir muito á cinema tanto na infância como na adolescência aos sábados e domingos, primeiro com meus pais e mais tarde com amigos, e depois com as primeiras namoradas, onde fatalmente rolavam uns amassos e beijos, muitos beijos que muitas vezes eram interrompidos pelos lanterninhas, sujeitos super odiados pelos casais de namorados e da galera que resolvia fazer alguma piada ou graça em alguma cena do filme. E quando interviam em alguma situação recebiam uma sonora vaia.
Lembro dos cinemas começarem a passar dois filmes pelo preço de um quando começaram a perder público para televisão e para vídeo cassetes, inclusive alguns passaram a funcionar quase vinte quatro horas passando apenas filmes pornôs.
E com o passar do tempo a maioria dos cinemas não resistiram ao avanço da especulação imobiliária, cujos terrenos viraram shoppings, estacionamentos ou igrejas evangélicas devido o crescimento desordenado de fazedores de milagres, falsos profetas e da isenção de tributos, e as grandes salas que existiam disponibilizavam mais de mil lugares como, por exemplo, o Cinema Olinda, aberto em 1940, na Praça Saens Peña, na Tijuca, que acomodava até 3.158 espectadores estão hoje resumidas a pequenas salas de exibição em shoppings. E mesmo os cinemas nos shoppings correm o risco de fecharem suas portas, devido não só a violência nas ruas, sites exclusivos na internet, locadoras com delivery, assim como os canais de TV por assinatura com preços cada vez mais accessível. E por isso acredito que a atividade se programar para ir ao cinema já entrou em processo acelerado de extinção, e lamentavelmente muitas pessoas nunca saberão de como era divertido passar as tardes e princípios de noite naquelas salas escuras em frente aquele enorme telão.
Aqui em Búzios nos anos oitenta existiu no bairro de Manguinhos um cinema dentro de um shopping, depois o cinema virou Igreja Universal e passado um tempo o shopping foi derrubado. Dizem que onde o shopping foi construído, devia haver uma caveira de burro enterrada, que nem com as orações dos fiéis da igreja ele conseguiu evitar a falência, e o terreno onde ele existia, até hoje não conseguiu ser vendido.

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