O FIM DOS GRANDES CINEMAS DE RUA NO RIO DE JANEIRO
Muito me
surpreendeu ler no jornal O Globo à matéria assinada por Renan França sobre quantidade
de cinemas de rua que existiram na cidade do Rio de Janeiro nos anos 60, e hoje
conta apenas com 16. Muito triste o que está acontecendo, mas os tempos mudam.
Lembro ir
muito á cinema tanto na infância como na adolescência aos sábados e domingos,
primeiro com meus pais e mais tarde com amigos, e depois com as primeiras
namoradas, onde fatalmente rolavam uns amassos e beijos, muitos beijos que
muitas vezes eram interrompidos pelos lanterninhas, sujeitos super odiados
pelos casais de namorados e da galera que resolvia fazer alguma piada ou graça
em alguma cena do filme. E quando interviam em alguma situação recebiam uma
sonora vaia.
Lembro dos
cinemas começarem a passar dois filmes pelo preço de um quando começaram a perder
público para televisão e para vídeo cassetes, inclusive alguns passaram a
funcionar quase vinte quatro horas passando apenas filmes pornôs.
E com o
passar do tempo a maioria dos cinemas não resistiram ao avanço da especulação
imobiliária, cujos terrenos viraram shoppings, estacionamentos ou igrejas
evangélicas devido o crescimento desordenado de fazedores de milagres, falsos
profetas e da isenção de tributos, e as grandes salas que existiam disponibilizavam
mais de mil lugares como, por exemplo, o Cinema Olinda, aberto em 1940, na Praça Saens Peña, na Tijuca, que
acomodava até 3.158 espectadores estão hoje resumidas a pequenas salas de exibição
em shoppings. E mesmo os cinemas nos shoppings correm o risco de fecharem suas
portas, devido não só a violência nas ruas, sites exclusivos na internet, locadoras
com delivery, assim como os canais de TV por assinatura com preços cada vez
mais accessível. E por isso acredito que a atividade se programar para ir ao
cinema já entrou em processo acelerado de extinção, e lamentavelmente muitas
pessoas nunca saberão de como era divertido passar as tardes e princípios de
noite naquelas salas escuras em frente aquele enorme telão.
Aqui em
Búzios nos anos oitenta existiu no bairro de Manguinhos um cinema dentro de um
shopping, depois o cinema virou Igreja Universal e passado um tempo o shopping
foi derrubado. Dizem que onde o shopping foi construído, devia haver uma
caveira de burro enterrada, que nem com as orações dos fiéis da igreja ele
conseguiu evitar a falência, e o terreno onde ele existia, até hoje não
conseguiu ser vendido.


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