O VERDADEIRO VANDALISMO
São revoltantes as
cenas de vandalismo e destruição de bens públicos e de particulares, esses,
muitos obtidos à custa de muito trabalho, sacrifícios e renúncias.
Mas,
muito pior e mais custoso do que isso é o vandalismo diário e institucional que
o povo sofre com a corrupção, desfaçatez, desinteresse e exibicionismo de
governantes e políticos. São os que sofrem perambulando de hospital em
hospital para suplicar atendimento, geralmente negado, a seus filhos e
parentes. São os que são chutados e empurrados a cassetete para entrar em
trens superlotados. São os que viram noites na rua para matricular seus
filhos em colégios públicos, malcuidados e com professores desconsiderados e
mal pagos. São os que se acotovelam em ônibus sujos, não fiscalizados e
causadores de tragédias. São os assaltados, estuprados, mortos e têm a
vida dilacerada por bandidos, geralmente menores, agasalhados por legislação
utópica e ideológica, e Justiça leniente, ágil somente para com
as suas benesses, como o indecente auxílio-alimentação. São os
que sofrem com essa infraestrutura lamentável, apesar de o país ser a 6ª
economia do mundo. Somos todos os que sofremos com essa corja
política, de escândalos contumazes, os patrimonialistas, pilhadores do Estado,
todos de famílias pobres, hoje riquíssimos, os Renan, Sarney, Barbalho, Lula,
Dirceu, Palocci, Erenice.... da vida... bandida. Somos os que sofremos com
o desrespeito de figuras abjetas, como Dirceu, a dizer “O PT não rouba e
não deixa roubar” ou o “Estou cada vez mais convencido da minha
inocência”. Somos os que sofremos com essa indecente associação de
políticos e governantes com empresários, para mútua locupletação. Somos os
que sofremos com um Congresso dilapidador de recursos e, agora se agigantando
com PECs inaceitáveis, a mais audaciosa de todas a que submete a si as decisões
do STF! Somos os que sofremos com o vandalismo de um
ex-presidente que diz “O SUS está à beira da perfeição”, mas se trata em
hospital de 1º Mundo, e sai por esse mundo fazendo lobby para empreiteiras, a
peso de ouro, oferecendo dinheiro do BNDES, que vai render novas contribuições
às próximas campanhas. Somos os que sofremos com o dinheiro público
emprestado a ditadores e, depois, perdoadas as dívidas. Somos os que
sofremos com essa inaceitável simpatia por trogloditas de ditaduras de
esquerda. Somos os que sofremos com essa ridícula preferência
terceiro-mundista, com parceiros medíocres
e inconfiáveis. Somos os que são vandalizados por uma
presidente que discute os graves problemas atuais não com o Conselho da
República, mas com um Conselho de petistas, incluindo o marqueteiro do partido,
numa clara confissão de que o partido é que importa, e não o país! E mais,
muito mais ! ! !
Os especialistas dizem que as inquietações são
difusas, sem nítidas traduções políticas, genéricas. Não são nada disso, são
claras. Parecem difusas, pois são muitas, todas contidas nas faixas e cartazes
que expõem. O melhor deles, e o que sintetiza a insatisfação geral, é o que
diz “BRASIL 3X0 JAPÃO. E DAÍ? O JAPÃO DÁ DE 10X0 EM SAÚDE, EDUCAÇÃO,
TRANSPORTE E ÉTICA PÚBLICA”.
“As pessoas estão fartas do governo e
da oposição, da corrupção e do cinismo, da soberba e do descaso. O estádio
superfaturado, o ônibus superlotado, a escola arruinada, a inflação, a
criminalidade, o Dirceu e o Eike.... O inimigo é toda a elite política
reorganizada durante a década da balofa euforia do lulopetismo”.
O lulopetismo estava querendo dar um
golpe sem tanques, apenas institucionalmente, para se eternizar no poder,
afrouxando a ética e distribuindo capitanias, benesses, cargos e dinheiro ao
Legislativo e Judiciário, para que, vassalos e domesticados, chancelam tudo o
que o governo quer, à la Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina. Agora estão
amedrontados, com a presidenta, qual barata tonta, correndo a se aconselhar com
seu moralmente desqualificado mentor. Na verdade, esses vandalismos das
manifestações não são nada, nem material, comportamental ou financeiramente,
comparados com o vandalismo institucional de governantes e políticos contra o
povo, o interesse público e a ética, minando as nossas esperanças de ter um
país justo, decente e realmente de todos, especialmente com o fim dessa
dolorosa exclusão social e abominável frouxidão moral.
Demetrio Magnoli
Sociólogo


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