CARLÃO
Se foi meu amigo Carlos Araty de Barra de São João. Amigo dos
amigos, e de muitos amigos durante muitos anos, dono de muitas conquistas,
muitas pendengas, muitas cervejas, muitas estórias e provavelmente o pesadelo
para os inimigos, se tivesse inimigos.
Amigo que fazia com que todos se sentissem em casa, e fazia
se sentir em casa fosse no bar Garota de Ipanema em Ipanema, em qualquer lugar de Niterói quando muito
tempo esteve trabalhando por lá, em Baixo Grande, onde fomos há muitos anos
para o aniversário de 90 anos da sua avó Rosa, e chegamos em Barra com o lado
do Puma todo rebentado, em Macaé onde contratou num puteiro, três moças para
serem as carpideiras num velório de um amigo, em Rio das Ostras onde era
respeitado pelas cervejas consumidas, pelas conquistas e pelo fato de quando
alguém começava a falar muito alto ao seu lado, saía logo dizendo: Eu não faço
trato nem com Deus e nem com o Diabo para não ter pendenga entre os dois. E o
ambiente acalmava. Em Barra de São João qualquer lugar onde passasse era
cumprimentado e quase sempre parava, e como ele mesmo dizia: Vamos trocar uma
ideia. Teve a coragem em certa ocasião de colocar uma mesa do Bar do Peter em
plena rodovia Amaral Peixoto, onde o transito teve que ser desviado por um
guarda municipal no qual não recordo o nome. Em Búzios nos encontramos poucas
vezes, já que vinha sempre com muita pressa de voltar, mas uma vez que veio
muito me marcou, já que foi no sepultamento da minha mãe em setembro de 2010,
onde soltou uma frase que não mais esqueci. “Não importa se elas estão
velhinhas ou doentes, nunca deixarão de ser nossa mãezinha”.
Com o tempo cansou e se apaixonou por um pedaço de terra na
beira do Rio São João, e montou seu escritório, também conhecido como whiskritório,
(embora só bebesse cerveja) e onde recebia clientes, amigos e familiares. E lá passou seus os últimos anos num misto de
projetos para o futuro, tristezas pela perda de amigos e entes queridos, e
principalmente na alegria de está perto dos filhos que amava muito.
É meu amigo Carlão! O tempo é cruel com a gente. Mas assim como
o mestre Chico Xavier “Eu também fiz um acordo de coexistência pacífica com o
tempo”. Eu não fujo dele e nem ele me persegue. Um dia a gente se encontra.
Carlão! Siga em paz e boa viagem. Um dia a gente se
encontra...



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