Mais uma vez o território Palestino é bombardeado e simplesmente os mais ricos países do mundo se calam em relação a fato, mas levantam a voz em favor de "presos políticos" em Cuba, e ao mesmo tempo ignoram os presos sem direito a defesa que estão em Guantanamo, assim como nada fizeram contra o Apartheid, mas são contra o regime Chines, o Venezuelano, o Norte-Coreano , o poder nuclear Iraniano e são cegos, surdos e mudos para o que acontece diariamente ao povo Palestino.
Gaza - Impunidade oficial é uma confissão de culpa
Postado por: marceloambrosio
Tinha decidido dar um tempo no debate em torno da invasão israelense a Gaza, mas um anúncio feito hoje cedo pelo primeiro-ministro Ehud Olmert, já postado por um leitor em um dos meus comentários, me fez insistir no assunto. O primeiro-ministro assegurou que os soldados que combateram no território palestino terão toda a proteção legal do Estado caso sejam processados por crimes de guerra. Da mesma forma, os nomes dos comandantes envolvidos igualmente não serão revelados de forma a dificultar a apuração, por exemplo, dos bombardeios à instalações da ONU e aos escritórios da Reuters e da AP em território palestino.
Fico impressionado com a vocação de Olmert para cometer erros trágicos. A fracassada campanha no Líbano deveria ter ensinado algo, mas a arrogância do premier e de seu estaff militar não tem limites e isso os cega completamente. O anúncio de hoje equivale a uma confissão de culpa e pode ser considerado prova circunstancial em caso de um processo formal. É importante manter a pressão em torno desse tema, de forma que desafios às leis internacionais não aconteçam mais. Os militares israelenses que ordenaram o uso de bombas de fósforo e os que as lançaram - quero lembrar que a operação começou com o emprego da Brigada Gilani, considerada a tropa de elite da IDF - são criminosos bárbaros e como tal devem ser julgados - uma exigência que o Secretário-geral da ONU vem fazendo quase que diariamente.
A contra-ofensiva jurídica ordenada por Olmert vem sendo preparada pelo ministro da Justiça Daniel Friedman. É um conjunto de argumentos que servirão tanto para contrapor às acusações (quem viu as imagens que postei aqui já sabe que a evidência é tão gritante que fico imaginando que tipo de argumento a negaria) quanto para proteger o Estado e os militares envolvidos individualmente de processos por crimes de guerra. Não faz mal. Os nazistas fizeram o que fizeram e acabaram todos, inexoravelmente, julgados. Um dia todos os envolvidos prestarão contas por seus atos, onde quer que estejam.
Deixo aqui uma sugestão ao secretário Ban Ki-Moon. A ONU, como entidade multilateral, ou qualquer uma das empresas atacadas (Reuters e Associated Press) poderiam acionar o Tribunal Penal Internacional, em Haia, exigindo não só a abertura de um processo formal, quanto pedindo a emissão de ordens de busca e captura de possíveis responsáveis. Quatro deles já são conhecidos: Ehud Olmert, Ehud barak, Tzipi Livni e o comandante da Brigada Gilani. A existência do processo restringiria a liberdade de deslocamentos dos acusados, principalmente quando tiverem deixado de ocupar cargos públicos.
A ordem de prisão internacional permite, por exemplo, que policiais da Interpol capturem cidadãos procurados em qualquer país que mantenha convênio com o programa. Sei que a medida parece inócua dada a proteção legal que está sendo preparada para os envolvidos nesse episódio criminoso. Mas sua existência expõe os autores a um constrangimento importante. O trio Olmert-Barak-Livni, por exemplo, saberá que não está livre para se deslocar pelo mundo, a não ser como parte de delegações protegidas por convenções diplomáticas (cujo texto se encontra no mesmo manual que proíbe o uso de armas como a bomba de fósforo).
Levar o caso à barra dos tribunais é uma forma de impor uma sanção moral - ainda que simbólica por não ser concreta - indispensável para separar quem se acha acima de toda e qualquer legislação dos que efetivamente consideram importante a aceitação e o seu cumprimento como forma de reforçar laços com outras nações e ensinar às futuras gerações que o isolacionismo tem um preço muito pesado a ser pago: é ruim para um país como Israel enfileirar-se ao lado do Zimbábue de Mugabe, da Coréia do Norte de Kin Il Jung e da Mianmar dos generais.


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