
Um mar de irregularidades numa terra de muitas irregularidades
(Mas dizem que agora vai acabar)
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Está terminando a temporada dos navios transatlânticos em Armação dos Búzios, e mais uma vez, como em todos os anos, geraram-se discussões pelos empresários locais como preferem serem titulados em apresentações, ou comerciantes como gostam de serem taxados na hora de serem cobrados, onde seria feito o desembarque dos passageiros. Seria no cais do Centro ou no cais da Armação? Em momento algum se discute a segurança no mar e nunca foi cogitado um verdadeiro debate com pessoas realmente qualificadas em relação ao impacto ambiental causado a Península Buziana por estes gigantes do mar. Inclusive o impacto em terra já que controle de vigilância sanitária , acredito não ter poderes para atuar a bordo destes navios, e assim foi divulgado pela mídia nacional e internacional que duas mil pessoas ficaram impedidas de desembarcar devido a algum tipo de infecção gastrointestinal. Capitania dos Portos ainda compareceu durante esse período, menos mal.
A cidade virou neste período uma verdadeira Babel, com tripulantes de todas as partes do mundo, ávidos por comer, beber e tentar falar com familiares através da internet ou telefone mesmo. Estes sim, são os verdadeiros consumidores que chegam nos navios, que no máximo ficam dois dias ancorados.
Isto me faz bater uma tremenda saudade de uma época onde Búzios ainda era uma verdadeira atração turística internacional, os turistas não chegavam de 1001 e nem iam passear na rua dos biquínis em Cabo Frio de ônibus da Salineira, e nem ficavam querendo usar a cozinha da pousada, como hoje é corriqueiro.
Havia turistas de diferentes países e continentes, atores e atrizes, astros de diversos esportes e da música, nacionais e internacionais, assim como pessoas simplesmente ricas que preferiam o anonimato que a cidade oferecia.
O passeio de escuna se não me engano, era a única opção de lazer da época, e era uma verdadeira festa com suas generosas bandejas de frutas variadas, refrigerante, água mineral e caipirinha à vontade (o que permanece inalterado). Além dos equipamentos de mergulhos a disposição e dos equipamentos de salvatagem de acordo com as exigências da Capitania.
Eu me lembro da Escuna Bruma Seca, da Escuna Queen Lory, (que também possuía um barco com fundo de vidro), depois vieram a Escuna Miss Búzios, Escuna, O Pirata, as escunas Buzianas I e II, Escuna Lady Gaby do Fernando D’rochella, e uma escuna que se chamava creio eu, Ilha de Itacuruçá.
Chegou a acontecer uma quase confusão entre os pescadores e os escuneiros, já que os turistas não estavam mais utilizando os barcos de pescadores para passear, problema sanado depois de uma reunião dos donos de escunas com pescadores, prometendo que vendedores de passeio de escuna não iriam vender passagens lá no cais da Armação.
O passeio de escuna era oferecido pelos vendedores através de um tímido panfleto que continha um mapa com uma linha pontilhada demarcando o roteiro do passeio, e o preço era um só para todos os barcos, às vezes caso estivesse ventando muito o passeio se limitava somente da praia de João Fernandes a Praia da Tartaruga e o preço era reduzido.
Um dia conversando com o Dirceu que era gerente das Escunas Buzianas propus a ele fazer fotos desde o início do passeio, até final, no cais do Centro. Fotos que mostravam os locais de parada para mergulho, pratos oferecidos pelos quiosques nas praias, e dos serviços oferecidos a bordo. Eu já tinha oferecido este trabalho ao Valmir, filho do pescador João Cirilo que era gerente da Queen Lory, mas o Sérgio que era o proprietário disse que ele mesmo ia fazer as fotos.
Depois desse trabalho pioneiro, as escunas Buzianas eram as mais procuradas e chegavam a fazer três passeios por dia, o que foi logo seguido por outras escunas que me procuraram para fotografar.
Realmente depois de alguns anos o negócio degringolou, por falta de fiscalização mais atuante da Capitania dos Portos, começaram a aparecer diversos tipos de barcos em Búzios sem nenhum compromisso com segurança e menos ainda com a legalidade, e com eles vieram, vendedores de passeio de outros municípios, estados e até outros países, que por falta de fiscalização municipal simplesmente transformaram as ruas da cidade em uma verdadeira feira livre oferecendo hospedagem na pseudo rodoviária, city tour em outras cidades, aluguel de bugres, distribuindo cartões de restaurantes, panfletos de boates, etc.
Depois de treze (aliás, meu nº da sorte) anos de emancipação, eu ate hoje não sei qual departamento da Prefeitura seria responsável por controlar a bagunça que tomou conta da cidade. Mas disseram há um ano atrás que iria acabar de uma vez. E quem acreditou, tem, digamos, uma empresa legalizada de turismo com aluguel de carros, tem que concorrer com um montes de lojas que infestam a cidade, alugando carros, motos, bugres, que estacionam, são consertados e lavados nas calçadas sem serem importunados por ninguém. O pandemônio que estava também instalado nas praias continua, com vendedores ambulantes com tudo que é tipo de mercadorias, vindo de todos os cantos, digamos do Brasil, e sendo de admirar a quantidade de estrangeiros vendendo bijuterias, alguns com certeza ilegais no país. Mas dizem outra vez, que agora vai acabar de vez. Alem das centenas de carros que invadiram as calçadas, estacionaram na estrada da Usina diariamente sem serem importunados. Mas dizem que agora vai acabar de uma vez.
A bagunça também tomou conta do centro da cidade, onde os bares e restaurantes resolveram ocupar todas as calçadas, aumentando o nº de mesas e colocando musica ao vivo a hora que bem entendem isso sem falar que algumas lojas na Rua das Pedras, simplesmente fecham quando chega alguma fiscalização estadual. Mas dizem que agora vai acabar de uma vez.
Como disse antes, Búzios deixou de ser uma atração turística internacional. Transformou-se em um balneário igual a outro qualquer, aonde o turista que vem é aquele que vai pagar a viagem em vinte vezes no cartão de crédito, ou aquele que está hospedado em Cabo frio e também em cidades adjacentes que só vem para andar de um lado para o outro sem gastar nada, ou comprar na promoção três camisas por dez reais, uma sandália havaiana (a cidade está cheia de lojas, à venda também em farmácias e drogarias) ou fazer um lanche em alguma pastelaria Chinesa. Por isso acompanhamos diariamente a proliferação na cidade das Guest house ou os mais conhecidos alugam-se suítes.
Quando você junta todos esses problemas, com certeza você questiona quanto tempo levaria para tentar reverter este quadro e tornar a cidade pelo menos boa para se morar? Já que em minha opinião, a cidade só vai ser boa para os turistas quando for boa para os moradores.
Julio Medeiros
(Mas dizem que agora vai acabar)
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Está terminando a temporada dos navios transatlânticos em Armação dos Búzios, e mais uma vez, como em todos os anos, geraram-se discussões pelos empresários locais como preferem serem titulados em apresentações, ou comerciantes como gostam de serem taxados na hora de serem cobrados, onde seria feito o desembarque dos passageiros. Seria no cais do Centro ou no cais da Armação? Em momento algum se discute a segurança no mar e nunca foi cogitado um verdadeiro debate com pessoas realmente qualificadas em relação ao impacto ambiental causado a Península Buziana por estes gigantes do mar. Inclusive o impacto em terra já que controle de vigilância sanitária , acredito não ter poderes para atuar a bordo destes navios, e assim foi divulgado pela mídia nacional e internacional que duas mil pessoas ficaram impedidas de desembarcar devido a algum tipo de infecção gastrointestinal. Capitania dos Portos ainda compareceu durante esse período, menos mal.
A cidade virou neste período uma verdadeira Babel, com tripulantes de todas as partes do mundo, ávidos por comer, beber e tentar falar com familiares através da internet ou telefone mesmo. Estes sim, são os verdadeiros consumidores que chegam nos navios, que no máximo ficam dois dias ancorados.
Isto me faz bater uma tremenda saudade de uma época onde Búzios ainda era uma verdadeira atração turística internacional, os turistas não chegavam de 1001 e nem iam passear na rua dos biquínis em Cabo Frio de ônibus da Salineira, e nem ficavam querendo usar a cozinha da pousada, como hoje é corriqueiro.
Havia turistas de diferentes países e continentes, atores e atrizes, astros de diversos esportes e da música, nacionais e internacionais, assim como pessoas simplesmente ricas que preferiam o anonimato que a cidade oferecia.
O passeio de escuna se não me engano, era a única opção de lazer da época, e era uma verdadeira festa com suas generosas bandejas de frutas variadas, refrigerante, água mineral e caipirinha à vontade (o que permanece inalterado). Além dos equipamentos de mergulhos a disposição e dos equipamentos de salvatagem de acordo com as exigências da Capitania.
Eu me lembro da Escuna Bruma Seca, da Escuna Queen Lory, (que também possuía um barco com fundo de vidro), depois vieram a Escuna Miss Búzios, Escuna, O Pirata, as escunas Buzianas I e II, Escuna Lady Gaby do Fernando D’rochella, e uma escuna que se chamava creio eu, Ilha de Itacuruçá.
Chegou a acontecer uma quase confusão entre os pescadores e os escuneiros, já que os turistas não estavam mais utilizando os barcos de pescadores para passear, problema sanado depois de uma reunião dos donos de escunas com pescadores, prometendo que vendedores de passeio de escuna não iriam vender passagens lá no cais da Armação.
O passeio de escuna era oferecido pelos vendedores através de um tímido panfleto que continha um mapa com uma linha pontilhada demarcando o roteiro do passeio, e o preço era um só para todos os barcos, às vezes caso estivesse ventando muito o passeio se limitava somente da praia de João Fernandes a Praia da Tartaruga e o preço era reduzido.
Um dia conversando com o Dirceu que era gerente das Escunas Buzianas propus a ele fazer fotos desde o início do passeio, até final, no cais do Centro. Fotos que mostravam os locais de parada para mergulho, pratos oferecidos pelos quiosques nas praias, e dos serviços oferecidos a bordo. Eu já tinha oferecido este trabalho ao Valmir, filho do pescador João Cirilo que era gerente da Queen Lory, mas o Sérgio que era o proprietário disse que ele mesmo ia fazer as fotos.
Depois desse trabalho pioneiro, as escunas Buzianas eram as mais procuradas e chegavam a fazer três passeios por dia, o que foi logo seguido por outras escunas que me procuraram para fotografar.
Realmente depois de alguns anos o negócio degringolou, por falta de fiscalização mais atuante da Capitania dos Portos, começaram a aparecer diversos tipos de barcos em Búzios sem nenhum compromisso com segurança e menos ainda com a legalidade, e com eles vieram, vendedores de passeio de outros municípios, estados e até outros países, que por falta de fiscalização municipal simplesmente transformaram as ruas da cidade em uma verdadeira feira livre oferecendo hospedagem na pseudo rodoviária, city tour em outras cidades, aluguel de bugres, distribuindo cartões de restaurantes, panfletos de boates, etc.
Depois de treze (aliás, meu nº da sorte) anos de emancipação, eu ate hoje não sei qual departamento da Prefeitura seria responsável por controlar a bagunça que tomou conta da cidade. Mas disseram há um ano atrás que iria acabar de uma vez. E quem acreditou, tem, digamos, uma empresa legalizada de turismo com aluguel de carros, tem que concorrer com um montes de lojas que infestam a cidade, alugando carros, motos, bugres, que estacionam, são consertados e lavados nas calçadas sem serem importunados por ninguém. O pandemônio que estava também instalado nas praias continua, com vendedores ambulantes com tudo que é tipo de mercadorias, vindo de todos os cantos, digamos do Brasil, e sendo de admirar a quantidade de estrangeiros vendendo bijuterias, alguns com certeza ilegais no país. Mas dizem outra vez, que agora vai acabar de vez. Alem das centenas de carros que invadiram as calçadas, estacionaram na estrada da Usina diariamente sem serem importunados. Mas dizem que agora vai acabar de uma vez.
A bagunça também tomou conta do centro da cidade, onde os bares e restaurantes resolveram ocupar todas as calçadas, aumentando o nº de mesas e colocando musica ao vivo a hora que bem entendem isso sem falar que algumas lojas na Rua das Pedras, simplesmente fecham quando chega alguma fiscalização estadual. Mas dizem que agora vai acabar de uma vez.
Como disse antes, Búzios deixou de ser uma atração turística internacional. Transformou-se em um balneário igual a outro qualquer, aonde o turista que vem é aquele que vai pagar a viagem em vinte vezes no cartão de crédito, ou aquele que está hospedado em Cabo frio e também em cidades adjacentes que só vem para andar de um lado para o outro sem gastar nada, ou comprar na promoção três camisas por dez reais, uma sandália havaiana (a cidade está cheia de lojas, à venda também em farmácias e drogarias) ou fazer um lanche em alguma pastelaria Chinesa. Por isso acompanhamos diariamente a proliferação na cidade das Guest house ou os mais conhecidos alugam-se suítes.
Quando você junta todos esses problemas, com certeza você questiona quanto tempo levaria para tentar reverter este quadro e tornar a cidade pelo menos boa para se morar? Já que em minha opinião, a cidade só vai ser boa para os turistas quando for boa para os moradores.
Julio Medeiros


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