Praia João Fernandinho - BúziosRJ

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Julio Cesar Medeiros

Quatro pescadores e tres gaivotas

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segunda-feira, 6 de abril de 2020


Carteirada Viva Voz

A postagem em vídeo publicada pelo Búzios Notícias Online nas redes sociais sobre uma operação de membros da Guarda Vidas na praia de Geribá, orientando as pessoas que insistem em caminhar, correr ou entrar no mar, a ficarem em casa devido a pandemia do Covid19, me chamou atenção onde um guarda vidas educadamente se dirige a um cidadão que caminhava e lhe fala das restrições do decreto municipal não permitindo caminhar na praia e que ele deveria ir para casa, e o cidadão “identificou-se” como procurador da prefeitura e quando o guarda vida respondeu que a Lei era para todos, ele concordou e ainda usou a expressão em latim Erga Omnibus cujo significado é : Para todos, e seguiu dizendo que não pode parar de caminhar.
Este fato me fez lembrar um episódio no começo dos anos 90 que aconteceu na praia de Manguinhos. Eu e o falecido Marcos Cândido, voltávamos da Rasa onde fomos fazer algumas matérias, inclusive uma com a grande liderança política na época, João Guelo, para o recém fundado jornal Folha de Búzios, cuja equipe era composta também pela Maria Alice de Sá, Joel Farias, André Rodrigues, Manuel Eduardo da Silva e Manuel Gomes. E depois dos compromissos na Rasa, o destino seria   o Bar Ponto de Encontro no Largo do Ceceu fazer uma entrevista com o proprietário Alberto Fantini, e eu ia fazer uns retoques numa foto em preto e branco bem antiga do grande jogador de futebol Mané Garrincha, de um quadro pendurado na parede. E com certeza íamos beber uns chopes também, afinal era o melhor chope de Búzios.
Quando voltávamos, vimos um grupo grande de pessoas na altura do Trevo da Marina, e fomos lá saber o que se passava, e para nossa surpresa eram pescadores da Rasa que tinham pescado através de uma rede de arrasto uma considerável quantidade de grandes Olhetes, que eram colocados em cima da vegetação e cobertos devido ao sol um pouco forte, com folhas da Palmeira Guriri também conhecida como Coquinho da praia. Enquanto eu fotografava os pescadores e os peixes, Marcos Cândido conversava com o Valmir Conceição sobre a pescaria e também política, já que Valmir era suplente de vereador em Cabo Frio (Búzios não era emancipado), nesse meio tempo para um carro com placa do Rio de janeiro, desce um cidadão bigodudo de sunga com cigarro no canto da boca e diz -  Quem é o patrão? E o Valmir humildemente diz – Aqui não tem patrão, todo mundo é igual. E o cidadão diz que está ali porque a pesca daquele peixe, que nem sabia o nome estava proibida, e que ele era fiscal de meio ambiente, e que poderia apreender toda pescaria, mas que tudo poderia ser resolvido ali mesmo, o que fez os pescadores fecharem a cara e chegarem todos para perto do cidadão. Nisso eu aproveito e fotografo a placa do carro e o Valmir na condição de suplente de vereador exige ver os documentos da “autoridade”, que já preocupado por ter tentado aplicar o golpe da carteirada e com os olhares nada amistosos dos pescadores resolveu que era melhor esquecer e fingir que não viu nada, mas eles deveriam ter mais cuidado com o que pescavam, saiu rapidamente em direção ao carro sob vaias e muitos xingamentos. E nós fomos embora.
Chegando no Ponto de Encontro, o Alberto já nos esperava juntamente com Aníbal Fernando do Jornal Peru Molhado, e como era uma dia de sábado o bar estava cheio e estava difícil o Alberto para conversar com a gente e resolvemos beber chope e contar sobre o fato ocorrido com os pescadores e o fiscal, e o Aníbal começou a rir muito, apontou para uma mesa no canto do bar e perguntou se o “fiscal” era o que estava lá, eu disse que sim e Aníbal disse que o cara chegou no bar muito nervoso e que tinha escapado de levar umas porradas de uns pescadores porque disse que era fiscal, mas na verdade estava a fim de ganhar um peixe e que se não tivesse saído rápido não estaria ali bebendo um chope. E logo em seguida ao reconhecer eu e o Marquinhos (como Marcos Cândido era chamado pelos amigos) pediu a conta e foi embora sem olhar para trás.


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