Carteirada Viva Voz
A postagem em vídeo publicada pelo
Búzios Notícias Online nas redes sociais sobre uma operação de membros da
Guarda Vidas na praia de Geribá, orientando as pessoas que insistem em
caminhar, correr ou entrar no mar, a ficarem em casa devido a pandemia do
Covid19, me chamou atenção onde um guarda vidas educadamente se dirige a um cidadão
que caminhava e lhe fala das restrições do decreto municipal não permitindo
caminhar na praia e que ele deveria ir para casa, e o cidadão “identificou-se”
como procurador da prefeitura e quando o guarda vida respondeu que a Lei era
para todos, ele concordou e ainda usou a expressão em latim Erga Omnibus cujo
significado é : Para todos, e seguiu dizendo que não pode parar de caminhar.
Este fato me fez lembrar um
episódio no começo dos anos 90 que aconteceu na praia de Manguinhos. Eu e o
falecido Marcos Cândido, voltávamos da Rasa onde fomos fazer algumas matérias,
inclusive uma com a grande liderança política na época, João Guelo, para o
recém fundado jornal Folha de Búzios, cuja equipe era composta também pela
Maria Alice de Sá, Joel Farias, André Rodrigues, Manuel Eduardo da Silva e Manuel
Gomes. E depois dos compromissos na Rasa, o destino seria o Bar
Ponto de Encontro no Largo do Ceceu fazer uma entrevista com o proprietário Alberto
Fantini, e eu ia fazer uns retoques numa foto em preto e branco bem antiga do
grande jogador de futebol Mané Garrincha, de um quadro pendurado na parede. E com
certeza íamos beber uns chopes também, afinal era o melhor chope de Búzios.
Quando voltávamos, vimos um grupo
grande de pessoas na altura do Trevo da Marina, e fomos lá saber o que se
passava, e para nossa surpresa eram pescadores da Rasa que tinham pescado
através de uma rede de arrasto uma considerável quantidade de grandes Olhetes,
que eram colocados em cima da vegetação e cobertos devido ao sol um pouco
forte, com folhas da Palmeira Guriri também conhecida como Coquinho da praia.
Enquanto eu fotografava os pescadores e os peixes, Marcos Cândido conversava
com o Valmir Conceição sobre a pescaria e também política, já que Valmir era
suplente de vereador em Cabo Frio (Búzios não era emancipado), nesse meio tempo
para um carro com placa do Rio de janeiro, desce um cidadão bigodudo de sunga
com cigarro no canto da boca e diz - Quem
é o patrão? E o Valmir humildemente diz – Aqui não tem patrão, todo mundo é
igual. E o cidadão diz que está ali porque a pesca daquele peixe, que nem sabia
o nome estava proibida, e que ele era fiscal de meio ambiente, e que poderia
apreender toda pescaria, mas que tudo poderia ser resolvido ali mesmo, o que
fez os pescadores fecharem a cara e chegarem todos para perto do cidadão. Nisso
eu aproveito e fotografo a placa do carro e o Valmir na condição de suplente de
vereador exige ver os documentos da “autoridade”, que já preocupado por ter tentado
aplicar o golpe da carteirada e com os olhares nada amistosos dos pescadores
resolveu que era melhor esquecer e fingir que não viu nada, mas eles deveriam
ter mais cuidado com o que pescavam, saiu rapidamente em direção ao carro sob
vaias e muitos xingamentos. E nós fomos embora.
Chegando no Ponto de Encontro, o Alberto já nos esperava
juntamente com Aníbal Fernando do Jornal Peru Molhado, e como era uma dia de sábado
o bar estava cheio e estava difícil o Alberto para conversar com a gente e
resolvemos beber chope e contar sobre o fato ocorrido com os pescadores e o
fiscal, e o Aníbal começou a rir muito, apontou para uma mesa no canto do bar e
perguntou se o “fiscal” era o que estava lá, eu disse que sim e Aníbal disse
que o cara chegou no bar muito nervoso e que tinha escapado de levar umas
porradas de uns pescadores porque disse que era fiscal, mas na verdade estava a
fim de ganhar um peixe e que se não tivesse saído rápido não estaria ali
bebendo um chope. E logo em seguida ao reconhecer eu e o Marquinhos (como Marcos
Cândido era chamado pelos amigos) pediu a conta e foi embora sem olhar para
trás.


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