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segunda-feira, 26 de março de 2012

Caramujo

Devido ao constante aparecimento destes caramujos nos canteiros da minha casa , e que tem me deixado um pouco preocupado, resolvi postar no Blog informações sobre este molusco terrestre.


O Caramujo-Gigante-Africano Achatina fulica

O caramujo-gigante-africano Achatina fulica, grande molusco terrestre nativo no leste-nordeste da África, foi introduzido recentemente no Brasil como sucedâneo do escargot (Helix spp.).
Os animais dessa espécie se alastraram por quase todo o Brasil, estabelecendo populações em vida livre e se tornando séria praga agrícola, especialmente no litoral. Atacam e destroem plantações, com danos maiores em plantas de subsistência de pequenos agricultores (mandioca e feijão) e plantas comerciais da pequena agricultura (mandioca, batata-doce, carás, feijão, amendoim, abóbora, mamão, tomate, verduras diversas e rami).
Achatina fulica pode hospedar ainda o verme Angiostrongylus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal, doença grave com centenas de casos já reportados no Brasil. Esta doença pode resultar em óbito por perfuração intestinal, peritonite e hemorragia abdominal. O descaso dos governos municipais, estaduais e federal pela situação e o incentivo desses governos à criação do molusco contribuem ativamente para o agravamento da invasão, dos danos agrícolas e da possibilidade da angiostrongilíase abdominal se tornar endemia rural e urbana.
Achatina fulica é espécie de molusco terrestre tropical, nativa no leste-nordeste da África, cuja descrição é a seguinte:
Adultos dessa espécie atingem 15 cm de comprimento de concha e mais de 200 gramas de peso total. No Sudeste do Brasil (São Paulo) os valores máximos são ao redor de 10 cm e 100 gramas.
Trata-se de espécie:
– parcialmente arborícola (pode se alimentar sobre árvores e escalar edificações e muros),
– extremamente prolífica (produz muitos ovos por ano),
ativa no inverno,
herbívora generalista (polífaga, ou seja, come folhas, flores e frutos de muitas espécies),
resistente à seca,
resistente ao frio hibernal e
sobrevivente em muitos meios naturais e antrópicos (floresta, borda de floresta, brejos e outras áreas de vegetação nativa, áreas de cultura, plantações abandonadas, terrenos baldios urbanos).
Outros nomes populares pelos quais Achatina fulica (pronuncia-se acatina fúlica) é conhecida no Brasil são: acatina, caracol-africano, caracol-gigante, caracol-gigante-africano, caramujo-gigante, caramujo-gigante-africano e rainha-da-África.
1.acatinas morrem frequentemente com a abertura voltada para cima;
2. essas regiões possuem estações com chuvas fortes e contínua (planaltos do interior) ou regime de chuvas mais ou menos contínuo (litoral, Amazônia);
torna-se viável a predição de que o fato possa ter em breve importância epidemiológica significativa, de controle problemático. 

Praga agrícola
Nos inúmeros países em que foi introduzida pelo homem, Achatina fulica tornou-se praga de culturas, ou foi constatada se alimentando de folhas, flores, frutos ou casca caulinar das espécies listadas a seguir (as culturas atacadas com maior intensidade estão marcadas com asterisco *). 
Plantas de cultura:
abóboras – Cucurbita spp., Cucurbitaceae (folhas)
acelga – Beta vulgaris spp., Chenopodiaceae (folhas)
* acerola – Malpighia spp., Malpighiaceae (frutos)
* alface – Lactuca sativa, Asteraceae (folhas) 
* almeirão – Chicorium intybus, Asteraceae (folhas)
amendoim – Arachis hipogaea, Papilionaceae) (folhas)
bananas – Musa spp., Musaceae (folhas)
bardana – Arctium lappa, Asteraceae (folhas)
* batata-doce – Ipomoea batatas, Convolvulaceae (folhas)
beringela – Solanum melongena, Solanaceae (folhas)
beterraba – Beta vulgaris, Chenopodiaceae (folhas)
* brócolos – Brassica oleracea var. italica, Cruciferae) (folhas)
cacau – Theobroma cacao, Sterculiaceae (folhas)
café – Coffea arabica, Rubiaceae (folhas)
* carás – Dioscorea bulbifera, Dioscoreaceae (folhas)
cenoura – Daucus carota, Umbelliferae (folhas)
chá – Camellia sinensis, Theaceae (folhas)
chuchu – Sechium edule spp., Cucurbitaceae (folhas novas e secas, frutos)
citros – Citrus spp., Rutaceae (folhas)
confrei – Simphytum officinale, Borraginaceae (folhas)
coqueiro-da-bahia – Cocos nucifera, Arecaceae) (folhas e flores)
* couve – Brassica oleracea var. acephala, Cruciferae) (folhas)
escarola – Chicorium endivia, Asteraceae (folhas)
* feijão e feijão-vagem – Phaseolus vulgaris, Papilionaceae) (folhas)
* guaraná – Paulinia cupana, Sapindaceae (folhas)
hortelã – Mentha repens, Lamiaceae
* jambu (Spilanthes acmella) (folhas)
* mamão – Carica papaya, Caricaceae (folhas)
* mandioca – Manihot esculenta, Euphorbiaceae
milho – Zea mays, Poaceae
morango – Fagaria x ananassa, Rosaceae
mostarda – Sinapis arvensis, Cruciferae
pepino – Cucumis sativus, Cucurbitaceae (folhas, frutos)
pimenta-do-reino – Piper nigrum, Piperaceae
* pimentão – Capsicum annuum, Solanaceae (folhas)
* rabanete – Raphanus sativus, Cruciferae (folhas)
* rami – Boehmeria nivea, Urticaceae
* repolho – Brassica oleracea var. capitata, Cruciferae
rúcula, Cruciferae
seringueira – Hevea brasiliensis, Euphorbiaceae
* taioba – Xanthosoma maffafa, Araceae
* tomate – Lycopersicum esculentum, Euphorbiaceae (frutos)
Plantas ornamentais:
camarão-vermelho – * Jacobinia coccinea, Acanthaceae
gazânia – * Gazania rigens, Asteraceae
Hemigraphis colorata, Acanthaceae
hibiscos – * Hibiscus cv.s, Malvaceae (híbridos)
jibóia – * Epipremnum aureum, Araceae
* orquídeas (flores)
tornélia – Monstera deliciosa, Araceae
Plantas ruderais:
jambu – Spilanthes acmella, Asteraceae
Tridax argentea, Asteraceae
picão-branco – Galinsoga parviflora, Asteraceae
Plantas nativas:
mandacaru – Cereus hildmannianus, Cactaceae (flores caídas)
acantáceas, piperáceas, zingiberáceas  
Como se pode constatar pela lista acima, as espécies agrícolas atacadas com maior intensidade são justamente aquelas utilizadas pelos pequenos agricultores (minifundiários, sitiantes, chacareiros), tanto como fonte de renda (abóboras, alface, almeirão, batata-doce, carás, couve, feijão-vagem, jambu, milho, orquídeas, pepino, pimentão, rami, repolho, taioba) como culturas de subsistência (abóboras, carás, feijão, mandioca, milho).
C. Presença no Brasil
A espécie está presente com populações livres nos seguintes Estados brasileiros:
Bahia BA Espírito Santo ES Goiás GO Maranhão MA Minas Gerais MG (Pará PA Paraíba PB Paraná PN Pernambuco PE Piauí PI Rio de Janeiro RJ Rondônia RO Santa Catarina SC São Paulo SP 
Sintomas da angiostrongilíase abdominal
1.     Dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômitos.
2.     Exames físicos revelam a presença de massa intra-abdominal que pode ser confundida com tumores ou abscessos.
3.     Exames de laboratório acusam leucocitose e eosinofilia.
4.     Ocorrem dificuldade de preenchimento e irritação intestinais.
5. Lesões patológicas são encontradas no apêndice e intestino adjacente e em nódulos linfáticos.

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