BÚZIOS ANOS 80
PARA EDUARDO ALMEIDA
O texto do Eduardo Almeida publicado no Jornal Primeira Hora (aliás, as únicas coisas que prestam neste jornal são as colunas, do Eduardo Almeida, Lúcia Veterinária e do Alfredo Rainho) me fez voltar aos anos oitenta aqui em Búzios, quando entrei numa sociedade em um quiosque na Praia da Ferradura. Naquela época o dólar estava super valorizado, e devido a isso, a cidade virou um verdadeiro abrigo de estrangeiros, que compravam tudo e abriam todos os tipos de comércio na cidade.
No meio destes estrangeiros tinham muitas figuras bizarras e engraçadas, mas também figuras estranhas assim como o Drago, mercenário citado pelo Eduardo em sua coluna, e fugitivos de prisões argentinas, francesas e italianas. Até o Ronald Biggs andou por aqui.
Em certa ocasião apareceram em nosso quiosque dois cidadãos argentinos , que assim como todo turista normal faz, tomaram cervejas, provaram caipirinhas (fizeram questão que fosse feita com cachaça) e comeram no primeiro dia só frango grelhado, já que comeriam peixe no dia seguinte. E voltaram durante cinco dias seguidos.
No quinto dia, um deles me chamou a mesa e disse que gostaria muito de convidar eu e o sócio para jantar com eles em reconhecimento a amabilidade e o tratamento atencioso dispensado a eles dois. Agradeci o convite e fui falar com meu sócio do ocorrido. O cara caiu na risada e disse. - Eu sabia que esses caras eram gays, mas levar cinco dias para cantar alguém é ser tímido demais. - Não é isso não, os caras não são gays, eles são tipo policiais federais argentinos, eles viram que fiquei desconfiado e se identificaram, e até riram depois. Disse eu. Para mim eram caçadores de recompensas.
À noite depois do jantar, os policiais abriram uma pasta e tiraram um álbum com fotos, e antes de abri-lo, disseram: - Cada foto deste álbum tem um preço, se o tipo esteve aqui 100 dólares, e se estiver morando aqui na cidade, 300 dólares. Amanhã estaremos indo embora, e com certeza vocês nunca mais vão nos ver, agora eu vou abrir o álbum.
Após folhear todas as páginas que deviam conter mais de cem fotos no tamanho de 15x21cm, um deles perguntou: - Conheceram ou conhecem alguém das fotos? E ele mesmo respondeu. – Vocês não falaram e nem fizeram nem um movimento, mas pela expressão dos olhos identificaram algumas pessoas e vou mostrar quem vocês viram ou conhecem. E em seguida mostrou algumas fotos e dizia. – Esse você conhece. - Essa outra foto ele conheceu o tipo, etc... Depois disto, agradeceu o bom atendimento dado a eles na praia e foram embora. E até os dias de hoje eles não voltaram, assim como alguns que eles procuravam não foram embora até hoje.


Olá Julio!
ResponderExcluirPeço desculpas pela demora na resposta. É que estou em período de tese no doutorado e quase não tenho tempo mais para atualizar o meu blog.
Qto a transcrever o texto, sinta-se a vontade.
Um grade Abraço!
ps: Sou militante petista em São Pedro da Aldeia.